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Construção Coletiva do Saber - Alavancando valor por meio de Redes Dinâmicas de Conhecimento

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Filipe Cassapo, Gerente de Gestão do Conhecimento da Votorantim Industrial, apresenta o valor do conhecimento no contexto de negócio do Século XXI.

Pense rapidamente nas seguintes perguntas. No seu contexto organizacional, o que teria acontecido, há dez anos, se o serviço corporativo de e-mail fosse desconectado durante trinta minutos? E o que acontece hoje na sua Empresa, quando o mesmo serviço de e-mail, ou a rede da Intranet, encontram-se desconectados durante um simples minuto? O mundo mudou!

 

Vivenciamos, nos últimos dez anos, um conjunto de profundas transformações do contexto socioeconômico global. Como o analisou Michel Cartier no seu artigo intitulado “2005, a Sociedade do Saber e sua economia” [PRA03], esta revolução sócio-econômica, cuja última conseqüência são as alterações comportamentais e sociais dos indivíduos e das organizações, é a conseqüência de duas mutações prévias: uma mutação tecnológica (a emergência da Internet, que podemos datar de 1992), seguida de uma mutação econômica (o comércio eletrônico e a virtualização da economia, que podemos datar de 1999).

 

Assim podemos resumidamente descrever o novo mundo no qual vivemos: uma macro rede de redes extremamente conectada e dinâmica. Para as organizações, este novo mundo trouxe um conjunto de alterações ambientais bastante significativas, do ponto de vista das transformações implicadas em termos de gestão. É preciso hoje saber lidar com os fenômenos de globalização, mutação constante do contexto sócio-econômico, hipercompetição, hiperinformação redução dos ciclos de vida de produtos, serviços e processos, sem nunca perder de vista a fundamental sustentabilidade de toda e qualquer ação. Todos precisam, portanto, ficarem “intensivamente conectados”, para poder tomar decisões acertadas, além de inovar constantemente! Neste novo contexto, flexibilidade, rapidez, foco estratégico e uso intensivo de conhecimento são os grandes fatores críticos, não só de sucesso, mas também de sobrevivência.

 

Fomentando a Construção Coletiva de Conhecimento

 

Como então desenvolver, assimilar e utilizar de forma constante conhecimentos úteis para uma determinada organização? Seria através do foco na transformação de conhecimentos tácitos em conhecimentos explícitos, como sugere a interpretação simplificada da “Espiral do Conhecimento” dos pesquisadores japoneses Nonaka e Takeuchi. [NON95]? Deveríamos criar “bases de conhecimentos”, nas quais as mais diversas experiências dos colaboradores seriam armazenadas e deixadas à disposição de quem as poderia necessitar?

 

Apesar de bastante sedutora, esta proposta possui sérias falhas. Primeiramente, não podemos esquecer que o “conhecimento explícito”, como aqui formulado, não é conhecimento: ele é informação. Se a informação é com certeza a matéria-prima do conhecimento, ela não é, porém, o conhecimento em si! Segundamente, para que qualquer relatório de “boas práticas” seja útil em uma organização, não é obviamente suficiente que esteja simplesmente disponível.

 

Além de poder ser encontrado (o que pode parecer óbvio, mas não o é realmente), é necessária a existência de uma intrínseca motivação por parte de quem pode precisar dele, de buscar este relatório, ler integralmente e genuinamente seu conteúdo e fazer um efetivo uso do que lá aprendeu. Apesar destas diversas etapas de uma assimilação aberta de informações disponíveis parecerem triviais, elas não o são, pois exigem que a iniciativa de “Gestão do Conhecimento” subjacente tire o foco do “explicitar” para comprar a causa do “conectar as pessoas”. Isto significa que a organização deve então passar a se preocupar com a criação de um ambiente favorável para a geração, a transferência, a retenção e a aplicação do conhecimento em rede. Tal tipo de ambiente não pode apenas ser artificialmente promovido por decreto. Ele deve ser continuamente cultivado no tempo, por meio de:

  • Uma Governança Organizacional que incentive uma gestão do todo como um todo;
  • A existência e o compartilhamento na organização de um conjunto de Valores, que demonstram e incentivam a confiança entre os indivíduos;
  • O desenvolvimento constante de Lideranças, capazes de atuar como modelos, catalisando por meio do seu próprio exemplo a emergência das mudanças;
  • A existência de práticas flexíveis e dinâmicas de geração instantânea de fluxos múltiplos de informação, permitindo a todos os atores do negócio se relacionar de forma imediata;

As conseqüências sintomáticas da elaboração cuidadosa deste ambiente consistem na emergência de redes dinâmicas e flexíveis de conhecimento, que se formarão espontaneamente por agregação colaborativa de atores do negócio, em resposta quase-instantânea à aparição de um elemento contextual novo. Tais redes dinâmicas se constituem como o instrumento da construção coletiva rápida e dinâmica do saber da organização inteligente, ou “Learning Organization”, como descrita por Peter Senge na sua “Quinta Disciplina” [SEN90].

 

O Valor Agregado para a Organização

 

A construção coletiva de saber proporcionada pela emergência de redes dinâmicas de conhecimento culmina na transformação sistêmica da própria cultura organizacional, permitindo a metamorfose de uma organização pouco conectada e estática, para uma organização hiperconectada e dinâmica. Os benefícios obtidos por esta mutação vão de perfeito encontro às necessidades do contexto de negócio do século XXI:

  • A criação de uma Memória Organizacional caracterizada pela transmissão de sabedoria entre as gerações, conectadas por meio de redes de conhecimento;
  • A geração de uma Inteligência de Negócio, que permite a assimilação rápida de tendências e cenários por parte de toda a organização, por meio de redes externas, elas mesmas conectadas às redes internas;
  • O fortalecimento da Criatividade dos indivíduos, potencializada na direção da obtenção de Inovações incrementais, substanciais ou até radicais, que proporcionam uma fonte inegável de vantagem competitiva.

Referências Bibliográficas

[NON95] Nonaka, I., Takeuchi, H. The Knowledge-Creating Company. New York, N.Y.: Oxford University Press; ISBN 0-19-509269-4; 1995.

[PRA03] Prax, Jean-Yves. Le Manuel du Knowledge Management. Une approche de 2e Génération. Dunod, Paris. 2003.

[SEN90] Senge, P. The fifth discipline: The art and the practice of the Learning Organization. New York: Doubleday/Currency; 1990.

 

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>> SOBRE O AUTOR: Filipe M. Cassapo é graduado em Engenharia da Computação pela Université de Technologie de Compiègne (UTC, França, 2000), possui uma especialização em Ciências Cognitivas e Epistemologia (UTC, França, 2000) e é Mestre em Informática Aplicada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR, 2004). Filipe é Gerente de Gestão do Conhecimento da Votorantim Industrial, responsável corporativamente pelo tema no Grupo.

 

Atuou como Gerente de Tecnologia da Informação na Siemens, sendo responsável corporativamente pelo tema Gestão do Conhecimento e da Informação para a Região MERCOSUL. Filipe é também professor da pós-graduação “Gestão do Conhecimento e do Capital Intelectual” do SENAC-SP.

  

Created by Colaborador
Publicado originalmente na Revista da SBGC e republicado aqui com a anuência do autor.
Last modified 14/06/2007 - 19:10

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Comentários

E o futuro?

Posted by Alexom at 27/06/2007 - 08:39
Um bom texto, com comentários relevantes, comparando épocas, com referencias, enfim mostrou a importancia da Gestão do Conhecimento. Agora, o que pode vir aí? Parabéns.




 
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