A Felicidade na Gestão do Portal Corporativo
Dalai Lama, no livro "A Arte da Felicidade", ensina que o caminho para alcançá-la passa, necessariamente, pelo conhecimento das situações (eventos, pensamentos, companhias) que podem gerar as condições apropriadas para a sensação do que cada um considera "felicidade".
Assim, deve-se administrar o dia-a-dia promovendo ou impedindo "as condições causais que normalmente propiciam aquele acontecimento". De um modo simples (mas nada óbvio), ele mostra que as mais diversas condições (muitas vezes não identificadas pelo sujeito) geram situações de mal-estar e um desconforto que não é devidamente associado. Diz Dalai: "O primeiro passo para a busca da felicidade é o aprendizado".
Inspirado por este pensamento e tendo participado de recentes debates acerca dos fatores críticos para sucesso e gestão de portais corporativos, pensei: "quais são as condições necessárias para que um gestor de portal seja feliz numa organização?". Sem a pretensão de mestre Dalai Lama, me aventuro a listar dez situações que (acredito) podem reduzir as condições para que um gestor de portal seja frustrado nas suas intenções de ser feliz:
1. Respeito à cultura. Cada organização tem valores, jeitos de fazer acontecer. Algumas são formais. Outras são rápidas. Umas são complexas. Delegação versus centralização, visão de curto prazo versus visão de longo prazo, colaboração versus individualismo são exemplos de características que precisam ser consideradas no simples propósito de conseguir aprovar o projeto e levá-lo adiante.
2. Alinhamento estratégico. Se o portal não estiver a serviço claro, objetivo e mensurável da execução da estratégia da organização, é muito provável que lhe falte fôlego para enfrentar o que vem pela frente.
3. Patrocínio. O projeto de portal corporativo pressupõe um patrocínio forte e até certo ponto inabalável de pelo menos um líder de primeiro escalão da organização. O ideal é que toda a direção esteja apoiando e patrocinando os recursos e o apoio necessário para as mudanças que o portal promove.
4. Colaboração. Se o projeto de portal corporativo for uma iniciativa isolada de uma pessoa, de uma área, de um departamento que pretende levar o projeto isoladamente, estão dadas todas as condições para que as outras áreas criem seus próprios sites e portais, fragmentando as iniciativas.
5. Escolhas tecnológicas compatíveis. De nada adianta adquirir a melhor tecnologia, o “estado da arte” da facilidade e usabilidade, se a ferramenta de portal não for a mais aderente possível ao ERP, suíte de colaboração e legados existentes. Ela deve permitir (com o menor esforço possível) a integração e interoperabilidade entre sistemas, aproveitando da melhor forma a infra-estrutura e o conhecimento existentes. De nada serve um caminhão que apenas uma pequena equipe saiba operar e não seja compatível com o restante da frota, exigindo novos especialistas em manutenção. Não é necessário estar a todo o momento alinhado com o estado da arte das ferramentas de portais para alcançar resultados. Existem vários estágios iniciais que precisam ser vencidos e resultados que podem ser obtidos com mais suor e talento do que com tecnologia.
6. Medição, controle e PDCA. Os principais conceitos desenvolvidos por Deming e Juran a partir de 1950 continuam mais válidos do que nunca quando se trata de gestão de portais. O Ciclo do PDCA – Planejar, Executar, Controlar, Agir e Aprender (tradução livre) - e as ferramentas complementares da gestão pela qualidade (kaizen, just-in-time, kanban, círculos de controle da qualidade) caem como uma luva enquanto suporte metodológico básico para a execução de projetos de melhoria e inovação em portais corporativos. E não tenha medo de usar com rigor o controle através da mensuração de métricas previamente estabelecidas e alinhadas à estratégia da organização (item 2).
7. Transparência e disciplina. Os objetivos do portal e os critérios para execução das atividades de manutenção, melhoria e inovação devem ser conhecidos e divulgados. O modelo de governança tanto estratégica quanto operacional, os papéis e a matriz de responsabilidades devem ser construídas de forma participativa e revisadas periodicamente. Devem também estar sempre acessíveis e ser executadas com disciplina por todos.
8. Meritocracia. Incentive e reconheça os principais "soldados". Aqueles que vestem a camisa e fazem sua parte com dedicação, responsabilidade e perseverança precisam ser valorizados (e isso não significa prêmio em dinheiro - às vezes basta um abraço, um telefonema, uma pequena lembrança).
9. Escolha os parceiros certos. Não aceite aquele fornecedor "que já está decidido" porque já atende várias áreas e projetos se ele não tiver uma equipe apaixonada por portal corporativo. Além dos requisitos técnicos profissionais, a consultoria de portal precisa ser
multidisciplinar e criativa, capaz de responder às centenas de questões que vão surgir ao longo do ciclo evolutivo do portal.
10. Celebração. Não pense que, por ser um ambiente tecnológico “virtual”, o projeto de portal possa sobreviver sem momentos de integração presencial. Sempre que possível, reúna gestores e usuários em eventos (pequenos e grandes). Celebre as conquistas, aprenda com os erros. Mas não deixe que a web impeça o “face-a-face”.
A doutrina da "natureza do Buda", preconizada pelo Dalai Lama, diz que o amor, o afeto, a intimidade e a compaixão trazem felicidade. E que o propósito de nossa existência é buscar a
felicidade. Os conflitos, o ódio, a raiva, o desprezo e a vingança se originam na frustração de não termos alcançado o afeto que buscávamos. Convido você a refletir sobre as situações que descrevi acima. Experimentá-las, aperfeiçoá-las, completá-las e corrigi-las. Só
gostaria que você não desistisse de ser um gestor de portal em busca do caminho para a felicidade em seu projeto.
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