Quando gerir empresas é mais do que gerir documentos em alta velocidade
Em 1890 estávamos no início da Era Industrial. Muitas novidades haveriam de surgir. Mas, quem imaginaria que o homem poderia desenvolver alguma tecnologia que o faria encurtar as distâncias a partir do aumento da velocidade?
Inicialmente o homem utilizou as próprias pernas, depois os cavalos, depois o automóvel e o trem e, finalmente, o avião. Do simples caminhar, de uns 2-3km/hora para o voar a uma velocidade próxima a 1000km/hora. O que significa dizer, um aumento de pelo menos 500 vezes.
Do aumento da VELOCIDADE no transporte de matéria o homem evoluiu, também, no transporte da informação. Na Idade Média a velocidade acompanhava à capacidade de, fisicamente, alguém se locomover de um ponto a outro e, neste caso, dependia do próprio homem, depois do cavalo e na Era Industrial passou a usufruir de todos os benefícios das tecnologias criadas, alterando assim a velocidade de transferência da informação em, pelo menos, 400 vezes.
No entanto, com o surgimento da Sociedade da Informação, houve um ponto de inflexão, ocorrendo, de fato, um descolamento da capacidade física do homem se locomover e fazer chegar a outras pessoas alguma informação, para uma capacidade digital, criando assim, um novo paradigma. A informação foi vinculada à capacidade quase que instantânea, das pessoas transformarem pensamentos em palavras ou fatos em imagens.
E tudo isto a um custo bem menor se pensarmos que, no inicio do século XX, uma informação levava meses para ser transportada da América Latina para a Europa através de uma carta e, atualmente, esta mesma informação chega ao seu destino, em questão de segundos.
Houve um aumento da velocidade FÍSICA e agora um aumento acelerado do fluxo de INFORMAÇÕES. Hoje, tomar um avião e passar o Natal com a família, em algum longínquo lugar do planeta e voltar a sua rotina na semana seguinte, passou a ser algo factível, normal. Todos querem realizar tudo, sempre de forma cada vez mais rápida.
Desdobramentos desta cultura, normalmente, geram tumultos nos aeroportos que, quando concebidos se imaginava que iriam reduzir o uso dos ônibus, dos trens e, talvez, até dos carros, o que mostrou não ser verdade, pois quando a velocidade das mudanças aumenta, aumenta e aumenta cada vez mais, é criado um espaço para mais e mais serviços de transportes. Há o caos por não haver adequação da estrutura que suporte o avanço e a velocidade das mudanças.
Um efeito cascata ocorre a partir da melhoria do sistema de transporte físico, que impulsiona a melhora do transporte de informações e agora, esta mesma facilidade de transportar informações, impulsiona ou empurra à melhoria dos transportes físicos, demandando mais aeronaves e recursos para o transporte de materiais e pessoas.
Por sua vez, toda esta aceleração gera mais consumo de energia, condição básica de desenvolvimento de um país. Vivemos assim, dentro de um modelo causal permanente, onde um fato gerado impulsiona outros mais. A diferença está agora na velocidade com que tudo isso ocorre, de forma cada vez mais rápida e inesperada.
Se levamos aproximadamente 10 anos para termos o uso de forma comum do celular, o que teremos de novo no nosso ambiente daqui a 10 anos? Qual o impacto deste processo nas organizações que querem ser sustentáveis?
Com certeza tudo isso passa pela nossa capacidade e das empresas, portanto, de desenvolver este futuro. Pessoas e empresas que esperam para ver o que os outros estão fazendo, para poderem seguir, terão cada vez menos chance no mercado, já que os seguidores partem de uma premissa altamente favorável que não mais existe: o tempo.
O tempo quando a inovação será explorada com menor risco e ainda com benefícios a serem obtidos será cada vez menor. Neste caso, qual será o real ganho que estas empresas terão?
Isso não é difícil de ser verificado no nosso dia a dia, na gestão de empresas que conseguem escrever seus modelos de gestão altamente inovadores. Falam e discursam sobre temas altamente relevantes e criativos, mas quando se observa debaixo do tapete destas mesmas empresas verifica-se o quão longe está a cultura de gestão de pessoas, deste modelo, aparentemente, tão inovador.
Gerir empresas é mais do que gerir papéis e documentos em alta velocidade: é a capacidade de gerir PESSOAS que criam, pensam, possuem emoções e sentimentos, ou seja, é o ingrediente fundamental para o sucesso sustentável das organizações. Mas, na grande maioria dos casos são consideradas apenas como mais um recurso físico que está ali para ser utilizado e comparado com a capacidade e velocidade de processamento das rotinas físicas e intelectuais que as máquinas são capazes de fazer.
Em muitas situações, as pessoas são utilizadas como braços operacionais dos seus “chefes”, dentro de um ambiente onde eles pensam e elas executam sem questionar. Quanto desperdício!!!!!
Infelizmente, nesta situação, há uma luta desigual, do homem com as tarefas que as máquinas, criadas pelo homem, são capazes de fazer. O que fariam os “chefes”, que assim gerenciam suas equipes, se tivessem que ser realmente avaliados pela sua capacidade de inovação e sustentabilidade????
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SOBRE O AUTOR: Prof. Martius Vicente Rodriguez y Rodriguez é Doutor

