A Gestão da Informação na "Creativenomics" (Parte I)
O que produzir, como, com quem repartir e quem irá ganhar e perder com isto? Destas questões comuns a qualquer organização, se ocupava a Economia, que é, por definição, “a ciência que estuda a forma como as sociedades utilizam os recursos escassos para produzir bens com valor e de como os distribuem entre os vários indivíduos”.
Está surgindo, porém, uma economia onde podemos enriquecer sem dinheiro. Parece um sonho. Para uma geração que ficou alucinada com o advento da Internet, que não soube controlar o consumo e agonizou na avalanche de informações. A Era da Informação instalou o caos, inaugurou o appartheid digital.
A tecnologia que deveria trazer facilidades, promover a inserção e permitir que as pessoas realizassem tarefas (independentemente da complexidade) em menos tempo, com menos esforço e mais sucesso, se transformou em um dragão, assustou e afastou. Desta forma, a “Nova Economia”, aquela que viria a ser a “Economia do Conhecimento”, era (e ainda é) tocada por um time de “analfabytes”.
Quando comecei a utilizar BBS (sigla para Bulletin Board System), antes do Windows nascer, já observava o que meu amigo e “marketing hacker” Hernani Dimantas chamava de “novas conversações”. Coisas incríveis aconteciam atrás de uma tela fosforizada, à estonteante velocidade (discada) de 9.600 bips! Os “novos modelos de negócios” começaram ali. Lembro que uma BBS era responsável por um volume considerável de compra e venda de automóveis.
Esses BBS já permitiam trocas de mensagens, sobe-e-desce de arquivos, conexões. Com a chegada da Web e o Windows abrindo janelas para o mundo, a sociedade se dividiu em dois grupos: os “conectados” e os “desconectados”. Mas havia uma grande barreira a transpor: o ceticismo. Pensar em negócios online era coisa para kamikaze. Ninguém queria arriscar. Não demorou muito, as pessoas já se reuniam pelos interesses. As listas de discussão foram se multiplicando como gremlins molhados, mas não havíamos sido preparados para gerenciar tanta informação.
INFOABILIDADE
Já em 2001, a Reuters divulgou uma pesquisa afirmando que 44% dos executivos acreditavam que o custo de recolher informação excedia o seu valor para o negócio; e 84% se sentiam obrigados a recolhê-la apenas para se mostrarem competitivos.
Assim, foi produzida mais informação nos últimos 30 anos, do que nos 5 mil anteriores. Cerca de mil livros já eram publicados diariamente no mundo naquela ocasião e, considere que o total de conhecimento impresso dobra a cada cinco anos – o que representa uma ocupação de espaço físico cada vez maior - e as pessoas estão cada vez mais dedicadas à guarda, a estocagem destas informações, do que propriamente em transformá-las em recursos essenciais ao desenvolvimento. O trabalho entra em casa por uma porta, a família acaba saindo por outra.
Assim, ter habilidade para gerir a informação passou a ser uma questão de sobrevivência. Muito deste caos veio da necessidade de provar que o indivíduo, sozinho, ou se preferir, de um jeito autônomo, era capaz de ofertar soluções mágicas. Estas soluções representavam uma conta-corrente abarrotada, mas eram castelos de areia. O cliente permanecia financiando algo que ele não entendia.
Ao desenvolver sistemas de informação, deveria envolver os usuários desde a gestação, traduzir, facilitar o acesso à informação. Percebo que havia pouca ou nenhuma “responsabilidade informacional”. Perdi a conta de ver quantos gerentes de empresas não tinham o domínio dos próprios servidores, senhas de FTP, nada! Quando isto não acontecia era dinheiro jogado fora, processos, reclamações infindas. As pessoas se negavam veementemente a colaborar, por não terem sido educadas para isto.
E assim surgiram os modelos de negócios baseados nas atividades colaborativas, onde a competição abre espaço para a “coopetição”, a nova moeda é resultado de uma nova percepção de “valor”, o capital é humano e “conhecimento é poder” compartilhar.
Antes havia o meio e a mensagem, hoje, o meio é a mensagem e a mensagem é móvel. As relações de consumo não mudaram: mudou o consumidor. Ele é o novo produto.
Entenda-se como “iniciativa web”, sites, banners, animações, pesquisas, email marketing, blogs, enfim, tudo o que é criado para trafegar na Internet. “Governança” não é apropriação. É inteligência aplicada, de modo que a Internet deixe de ser estática para ser dinâmica. Saia da condição de produto, para serviço, seja útil (de fato) e produza experiências ricas no usuário. Einsten já dizia “conhecimento é experiência, o resto é informação”; significa que ao proporcionarmos uma experiência rica, estamos proporcionando a criação de um conhecimento rico.
Os ingredientes para um conhecimento rico são, além do conteúdo relevante, claro, a criatividade, design e inovação - estou falando de “estratégia de design” (negócios baseados em custo e confiabilidade estão orientados ao design e ao consumidor). Design transforma projeto em produto, seguindo um plano de ação. Está por trás de rigorosamente tudo o que experimentamos. Jamais confunda design com arte, embora eu seja categórica em dizer que “fazer design é uma arte” (para poucos).
Aqui cabe falar das estratégias de design Six Sigma, da Motorola: é a inovação focada no consumidor, que também está motivando a GE a disseminar entre seus gerentes o princípio CENCOR (calibrar, explorar, criar, organizar e realizar). Esse novo jeito de pensar que transformou a Coréia, a China e agora coloca a Índia na rota do desenvolvimento.
Estou me referindo à tal da “criativonomia”, ou “Economia Criativa”, que vai substituir os 4P’s (produto, preço, praça e prazo) pelos 4I’s (imaginação, idéias, inventividade, inovação) e ainda agregar os 3T’s da criatividade (talentos, tecnologia e tolerância). É o lado direito do cérebro ganhando tempo, espaço e oportunidade. Menos matemática e ciência, mais ética e estética? É por aí. O consultor americano Joshua Ramo, diz que “a inovação constante é a única forma de combater os problemas causados pelas próprias transformações”. Sendo assim, deduzo que a grande missão da geração dos creativenomics é:
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investir em tecnologia, inovação e educação;
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sustentar a taxa de crescimento social, econômico e ainda harmonizar com o meio ambiente;
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aumentar o poder e a determinação para controlar o próprio destino, ou seja, algo como “não permitir que a sua felicidade esteja na mão de outro que não seja você mesmo” – conselho de mãe, ora.
Não perca, em breve, a segunda parte deste artigo!
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SOBRE A AUTORA: Tina Andrade é jornalista e membro da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC).
Publicado na Revista Custo Brasil, cuja versão online está no endereço http://www.revistacustobrasil.com.br/15/pdfs/Artigo%2008%20-%20tecnologia.pdf - republicado aqui com anuência da autora.
Last modified 14/08/2008 - 00:21
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