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A Gestão da Informação na "Creativenomics" (Parte II)

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Na segunda parte de seu artigo, a colaboradora Tina Andrade aborda as mudanças e os benefícios da "Economia Criativa".

Leia também a primeira parte do artigo.

Cultivocultura

O diretor-geral da Unesco, Koïchiro Matsuura, é da opinião que “embora a globalização dê oportunidades para que os países compartilhem suas culturas e seus talentos criativos, é claro que nem todas as nações são capazes de aproveitar as oportunidades que se apresentam". Nós nascemos criativos. A prova é que já estamos discutindo a Indústria Cultural e a Bahia já sediou um evento internacional nesta linha. O IBGE revela que o setor já representa 4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, que foi de R$ 2,4 trilhão no ano passado; e o 'Termo de Referência da Cultura e Entretenimento', publicado pelo Sistema Sebrae registra taxa anual de crescimento na ordem de 6,3%, para as atividades de criação, produção, circulação e consumo de bens culturais, contra uma expansão de 5,7% para o restante da economia. Contudo, apenas três países (Reino Unido, Estados Unidos - que fatura 60 bilhões de dólares por ano só com audiovisual - e China) produzem 40% dos bens culturais (entre livros, CDs, filmes, videogames e esculturas) negociados no planeta.

A economia criativa está ligada à produção de riquezas, geração de emprego e renda baseados nos bens e serviços culturais (manifestações artísticas em geral, festas populares, tradições religiosas, entre outras) de um país, cidade ou comunidade. E à proteção também: na França, 40% das músicas tocadas nas rádios têm de ser em idioma francês; no Cazaquistão, o design dos tapetes persas foi registrado e protegido como propriedade intelectual; a Argentina recolhe 10% do faturamento dos cinemas, locadoras de vídeos e impostos pagos pela publicidade em geral para subsidiar a produção nacional de filmes. Em 2003 produziu 50 longas-metragens em plena crise recessiva. O fato é que cada dólar aplicado em atividades relacionadas à cultura gera 3,2 dólares na atividade econômica como um todo.

O modelo “coccon” (casulo) está de volta com força total. Menos de uma pessoa a cada dez norte-americanos trabalha em uma empresa; as agências de trabalho temporário são o maior empregador privado nos Estados Unidos e em lugares como a França. Além de advogados temporários, engenheiros temporários, gerentes de projetos temporários, há o executivo temporário. Isto é mesmo um must.

Temporalidade não é descontinuidade, pelo contrário, é colocar a pessoa certa, no lugar e no tempo certos. E com isto contribuir para um resultado tão bom quanto rápido.

Lembro de uma gigante financeira onde pessoas se confundiam com a mobília da empresa: engessadas, mesmo as roupas que usavam deixavam transparecer que o mundo havia mudado e elas não haviam percebido. Pensamento obtuso, humor “à beira de um ataque de nervos”. Trabalhavam juntas há pelo menos uma década e não se conheciam. Estavam quase todas no lugar errado, trabalhavam para pagar contas ou por algum tipo de benefício, decididamente não faziam parte das pessoas em busca de evolução. Uma triste (infelizmente ainda é) realidade.

Wikonomia, Redes Sociais, Redes Colaborativas, Blogs Corporativos, Fotologs, V-Logs, WEB 2.0, Creative Commons, Arranjos Produtivos Digitais, Ecologia Digital. Tenho lido muitos nomes diferentes que vão desembocar no mesmo lugar: no mar da colaboração, simples. Nem bem compreendemos a primeira onda da web, surge uma nova geração. A segunda onda, popularmente conhecida como “Web 2.0”, chega com uma proposta muito boa na teoria: até porque não é um produto, uma marca, é um conceito novo demais. Usuários mais experientes, sabemos que trata-se de um tipo de publicação dinâmica, que:
- pode ser construída por quem a utiliza;
- não exige um jornalista para postar notícias;
- é baseada na colaboração e na confiança;
- permite que qualquer pessoa contribua com seus conhecimentos;
- e quanto maior o grau de proficiência (domínio do assunto), mais reputação lhe trará;
- é possível dizer ainda que esta nova Internet inaugura uma espécie de “valor wikonômico”, onde você vale o quanto contribui.

A plataforma colaborativa “Wiki” se transformou em uma enciclopédia universal e livre, feita por pessoas comprometidas com a informação. O potencial de colaboração é tanto, que a ferramenta também foi compartilhada e a wikonomia se espraiou e auxilia na distribuição do conhecimento dentro das organizações. Em torno destes conhecimentos foram sendo desenvolvidas Redes Colaborativas, Redes Sociais (e com elas surgiram “NFTs – Novas Formas de Trabalho” e, por conseguinte, “NFLs – Novas Formas de Lucro”).

Mas para Hudson Tavares, coordenador de desenvolvimento da Fess'Kobbi, o potencial de integração das redes ainda é muito primitivo: “não notaram o quanto aquele pedacinho de vida de seus usuários é importante e útil e os criadores e mantenedores de redes sociais, têm que saber o que está acontecendo nelas (e usar isto para mantê-las interessantes, fato incomum hoje)”.

A crítica de Hudson é clara: não basta querer criar uma rede: tem que ser a rede! Preocupar-se em desenvolver competências para lidar com os conteúdos livres (como o de blogs), com as questões diretamente postadas pelo consumidor, e mais, querer realmente relacionar-se, estabelecer e manter uma conversação. Afinal, “mercados são conversações”, de volta ao Manifesto Clue Train.

Redes são Pequenos Mundos

Quer saber o que faz acontecer o Orkut, Flickr, LinkedIN, Yahoo, Plaxo e tantas outras redes sociais da moda? Apenas “Seis Graus de Separação” – uma teoria criada a partir de um estudo sobre “Pequenos Mundos”, realizado por Stanley Milgram em 1967, com o objetivo de fazer uma carta chegar às mãos de uma determinada pessoa, sem que fosse endereçada diretamente à ela. O estudo concluiu que apenas seis pessoas nos separam de qualquer indivíduo que tentemos contatar, porque existem pessoas que servem como conexões (nós) entre diferentes grupos. E são justamente estes grupos que nos dão acesso ou impedem nosso contato com qualquer pessoa, em qualquer lugar.


Desta forma, quanto mais conexões o nó (pessoa) estabelece, maiores são as chances de ela conseguir mais e mais ligações. Procure conhecer “rich get richer law” (ou a “lei dos ricos que ficam mais ricos”). Tom Peters diz que “o ‘desconhecido’ proporciona oportunidades inigualáveis(...) aos que forem corajosos e determinados o suficiente para aproveitá-las” e que “esta é uma era que implora por gente que quebre regras, que imagine o até aqui impossível”.


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SOBRE A AUTORA: Tina Andrade é jornalista e membro da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC).

Created by Colaborador
Publicado na Revista Custo Brasil, cuja versão online está no endereço http://www.revistacustobrasil.com.br/15/pdfs/Artigo%2008%20-%20tecnologia.pdf - republicado aqui com anuência da autora.
Last modified 02/09/2008 - 18:48

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