Skip to content
Associe-se ao IIP

Add to Google
alt
alt
alt
Personal tools
Quem Somos Patrocine Lista de Discussão Eventos Fale Conosco Seja um Colaborador Biblioteca
You are here: Home » Comunidades & Colaboração » Revolução SIM
Colunista

Revolução SIM

Document Actions
Acompanhe a primeira parte do descontraído texto de Cacau Guarnieri, relembrando “novidades tecnológicas” do passado até chegar na Web 2.0 e seus conceitos.

Em 1987, Eva Maria, brasileira , 16 anos, solteira, não tinha computador e nem se importava com isso. Seu vizinho de prédio, Raul, 15 anos, jogava um game em seu Atari chamado River Raid, onde pilotava um tosco avião por horas a fio. Os dois nem sequer trocavam um cumprimento nas raras ocasiões que se encontravam no elevador.

Em 1997, Eva possuía uma homepage de sua autoria no Geocities, um endereço eletrônico no Mandic e Raul José fingia ser um deus construtor no game SimCity e labutava para colocar um bola quicando em sua recém inaugurada homepage – feita por ele mesmo, é claro.
 
Naquele mesmo ano, Eva e Raul se conheceram em uma sala de bate-papo no The Palace – ele com um avatar representado por uma bolinha roxa com bigode e ela com uma imagem tosca de sereia (ela era pagante do serviço). 

Ficaram bons amigos, afinal eram bem poucos os que gostavam, queriam e podiam criar representações na web - no prédio de 25 andares e mais de duzentos moradores, apenas os dois. Forte elo. Na verdade, se apaixonaram e até fundiram suas homepages.

Em 2000, recém casados: ele agora se dedica também a jogar um simulador de futebol e ela se empolga pensando em educação mediada por computador. Mas a homepage do casal fica esquecida. A web infla-se de sites graficamente perfeitos, animações e serviços incríveis – como um leilão virtual, um auxiliar para dietas e uma livraria virtual ótima, entre centenas de outros.

Nosso casal sai do palco, senta-se na platéia da internet e assiste ao desfile dos mágicos do pixel, os webdesigners e os ilusionistas das pontocom fazendo brotar negócios como coellhos dentro de suas cartolas. A criação na web agora é coisa de profissional.

Em 2007, Raul se preocupa com o futuro do planeta, Eva com toda esta desigualdade social e a filhinha deles, de 3 anos, já tem seu joguinho preferido na Internet.
Buscando por Eva Maria no google podemos nos deparar com várias representações dela na web – dois blogs, várias participações em comunidades virtuais, além de perfis espalhados em vários sites de relacionamento. Raul não fica atrás, além de fazer parte de um clã  de World of Warcraft. No prédio do casal (eles moram lá até hoje), dos 248 moradores, 110 possuem perfil no Orkut, 67 possuem ou possuíram blogs, 5 já editaram verbetes na wikipedia, 8 possuem avatares no Second Life e 5 no Habbo Hotel.

Outra noite, Raul perguntou à  Eva o que ela pensava sobre esta história de Web 2.0. A mulher, depois de um suspiro enigmático, falou que achava um momento bem interessante, porque não se tratava apenas da velha e conhecida web, com mais gente acessando, banda larga, interfaces com mais recursos, serviços e aplicativos bem legais online. Também não era só a volta do usuário ao palco, tornando-se autor e construtor dos espaços e conteúdos da rede, assim como dos processos colaborativos. Não era só isso. Eva Maria acha que a Web 2.0 é o início de uma revolução SIM. Uma revolução simulada, onde um intrincado universo paralelo é formado e existe a tentativa de se construir outras formas de relacionamento, de ética, de colaboração, de expressão, de se pensar um mundo diferente. O esforço de construção deste universo paralelo virtual emerge junto com uma inteligência coletiva,  comprometida (esperamos que sim) com o  Homem e que passará a simular novas trilhas para uma humanidade, atualmente em um beco sem saída.
 
O fortalecimento de redes entre pessoas, sem barreiras de tempo e espaço, é a base para que uma inteligência emergente (da base para topo) se desenvolva. E quanto maior esta rede, maior a força desta emergência. A Web 2.0 possibilita estas duas coisas: fortalecimento e crescimento. O que faz com que possamos vivenciar uma revolução sem partido, sem ideologia, uma revolução emergente e simulada. Uma transformação com duas faces: caos e controle – cujas formas de equilíbrio entre elas serão a beleza do jogo.

A ruptura dos padrões de criação e consumo de informação, arte e entretenimento que já vivenciamos é apenas a ponta do iceberg.

Mas estamos apenas no início, do início, do início, lembra Eva Maria, pois a web ainda nem desmamou, de fato, do browser e da tela e quando isso acontecer o convite para que entremos em um The SIMs transformador será irrecusável. A simulação de saídas e novas formas de pensar, viver, querer, olhar e crescer vão ser aplicadas no mundo concreto – do virtual ao concreto e de volta ao virtual, em uma espiral dialética.

O casal dormiu. Raul sonhou que existia até uma nova profissão, ou um grupo delas: arquitetos da participação, editores da emergência, facilitadores da colaboração, estrategistas do conhecimento.
 
O casal acorda. Na hora de sempre. É quarta-feira. Ela é gerente em uma grande empresa, ele consultor. Preparam-se para mais um dia de trabalho.

Clicamos no botão sair. Eva e Raul somem da tela. Acabou esta simulação. Mas não esqueci de salvar o casal. No próximo artigo ele será simulado de novo,  mas agora em outro cenário: saímos do conceitual e vamos para o concreto. Raul fala da importância do game na Web 2.0 e vamos dar um pulo com Eva dentro do mundo corporativo e entender o que arquitetura de participação pode fazer por lá. 

=====================

>> SOBRE O AUTOR: Cacau Guarnieri é Arquiteto de Informação e roteirista de mídias digitais. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, atuou durante 10 anos como roteirista e dramaturgo, realizando projetos de dramaturgia empresarial para várias corporações. Em 1997, passa a atuar nos meios digitais realizando roteiros e arquitetura de informação para CD-ROM e Games (alguns deles premiados internacionalmente) pela Mamute Mídia, iniciando também a construção de ambientes virtuais de fomento de comunidades.

Em 2000, assume o cargo de gerente de implantação e consultoria Web da RadiumSystems realizando concepção e arquitetura de informação para diversos ambientes virtuais: portais, intranets e extranets. Em 2004, assume o cargo de diretor de projetos da Mentor Interativa (braço web da Mentor Tecnologia) passando a atuar também na concepção de ambientes virtuais de suporte à aprendizagem mediada por tecnologia e comunidades de aprendizagem. Em 2005 atua como consultor para a empresa DDIC onde passa a ter contato com projetos de inteligência competitiva e mapeamento do capital humano através das árvores do conhecimento. Atualmente é o especialista em Arquitetura da Informação e Colaboração da Plena Consultores.


 

 

Created by guarnieri
Last modified 28/05/2007 - 11:42

Veja outras publicações deste autor
BOX DE INTERAÇÃO
O Intranet Portal quer saber sua opinião! Você pode incluir um comentário público sobre o artigo ou atribuir uma nota a ele. Participe!

Obs: para participar do "Box de Interação" você precisa ser cadastrado e ter feito o seu login.

Ranking deste artigo: 4.59 (5 votos)

Comentários

Que texto, hein?

Posted by Alexom at 22/05/2007 - 08:50
Com um texto original e bem escrito nos levou a pensar: o que mais pode vir por aí? Parabéns!

Ótimo artigo

Posted by danielrodrigues at 31/05/2007 - 15:01
Grande Cacau. Adorei a abordagem Web2.0 sem visões românticas nem apocalípticas, como se vê por aí.
Como disse, estamos apenas na ponta do iceberg, vamos aguardar pra ver o que vem por aí.

Grande abraço
Daniel Rodrigues

Visão inspirada

Posted by aisenberg at 19/08/2007 - 12:51
Cacau,

Não é fácil encontrar pessoas com o seu conhecimento, e muito menos com a sua visão humanizada do nosso mercado. Quem disse que não dá para ser consultor e artista ao mesmo tempo? ;-)

Abs,
Daniel


Outros artigos deste autor
A língua do P
22/08/2007 - 11:20
O link e o pé de alface
06/12/2004 - 14:10



 
Associe-se ao IIP
Powered by Plone