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Colunista

As redes sociais já fazem parte de nosso jeito de pensar

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“Os fluxos de informação, a contaminação e formação de opiniões e a construção coletiva do conhecimento acontecem em redes sociais. A compreensão de sua dinâmica é fundamental para o design e governança de ambientes virtuais colaborativos”. Estas são algumas das impressões que o colunista Sérgio Storch nos apresenta neste artigo.

Estou fascinado ao ver a força com que conceitos antigos reaparecem sob novas formas e fincam raízes em nosso vocabulário e repertório de ferramentas profissionais.
Entre outros conceitos que a Web 2.0 tira do baú ao humanizar a tecnologia está o de rede social, bastante antigo, que vinha camuflado sob o nome de estrutura informal (as relações que existem na parte em branco dos organogramas e que fazem as coisas acontecerem).

Associado ao conceito de rede social há um outro, a Análise de Redes Sociais (no Google e na Wikipedia use também a sigla SNA, correspondente à expresssão em inglês). A Análise de Redes Sociais consiste no mapeamento das relações interpessoais em um grupo ou comunidade, e em sua representação gráfica numa rede em que cada pessoa é representada por um nó, e as relações são representadas por linhas que conectam os nós. Até aí nada de novo: isso se faz desde os anos 50, quando o psicoterapeuta argentino Jacob Moreno, criador do psicodrama, criou a sociometria, que passou a evoluir apoiada pela matemática e pela teoria dos grafos.


O que há de novo? Vejo três fatos novos relevantes que trazem as redes sociais ao primeiro plano de interesse dos executivos em empresas e governos:

  • estes conceitos e instrumentos passam a ser fundamentais para a implantação de processos de inovação, inteligência competitiva, marketing viral e outros processos sociais em rede. E contribuem muito para a compreensão de fenômenos de importância estratégica para empresas e governos, como a difusão de inovações tecnológicas, o ciclo de adoção de um novo medicamento, ou o rastreamento de focos terroristas


Rede social da Al Qaeda
As cores indicam os membros da rede em cada uma das aeronaves no 11 de setembro


 
Fonte: Valdis Krebs, um dos principais disseminadores de metodologias de análise de redes sociais e fornecedor do software OrgNet 

  • em segundo lugar, já há ferramentas de TI que facilitam a aplicação desses conceitos que, como muitos outros (taxonomia, tesauro, disseminação seletiva da informação etc.) dormitavam nas gavetas até que a tecnologia viesse a facilitar o seu uso.
  • e em terceiro, a notável popularização dos ambientes de redes sociais,  uma das aplicações mais características da Web 2.0, que fomentam o adensamento das relações entre pessoas que antes dificilmente se conheceriam. O Orkut que você certamente conhece é apenas um. Veja uma lista delas.

E aí precisamos fazer um alerta: com a proliferação desses ambientes virtuais, o uso do termo redes sociais vem se descaracterizando e sendo usado para denominar esses ambientes (além do Orkut que todos vocês conhecem: o Plaxo, o MySpace do monopolista da mídia Rupert Murdoch, o glamuroso Facebook, o LinkedIn e diversos outros).

É pena, pois como a linguagem nos ajuda a enxergar o que não víamos, ao sacrificar a precisão semântica de um termo como redes sociais corre-se o risco de perder uma riqueza: a capacidade de pensar possibilidades para as organizações que vão bem além do que permitem as estruturas puramente hierárquicas.

Mas enfim, estamos aqui para ajudar a por pontos nos iis, pois estas 3 coisas - a rede social, a análise de rede social e o ambiente para redes sociais - têm sua importância na gestão do conhecimento e também nos projetos de portais corporativos.

Por que?

  • as redes sociais, como fenômeno sociológico independente de ferramentas, são imprescindíveis para o fluxo de informações, para a contaminação de opiniões e para a construção do conhecimento;
  • o domínio das técnicas de análise de redes sociais pode ajudar muito na formação de equipes para processos de inovação, inteligência de mercado etc. Claro que as técnicas não se limitam ao uso de um software. O fator fundamental para a qualidade dos resultados são as técnicas de levantamento, os tipos de questões que se perguntam, e o destrinchamento das camadas de informação que o mapeamento pode produzir;
  • e os ambientes de redes sociais com funcionalidade análogas às de um Orkut são uma excelente aplicação para comporem as intranets e portais, podendo se tornar as mais populares nesses ambientes, pois pode-se neles facilitar a formação de uma rede das pessoas interessadas num tema técnico, assim como redes sociais ligadas às atividades culturais e de integração promovidas pelo RH.

Há questões interessantíssimas às quais voltaremos nos próximos artigos, desde os papéis diferenciados das pessoas numa rede social até questões de privacidade diante do Big Brother que pode nos assombrar se essa delicada riqueza for vítima de algum aprendiz de feiticeiro.

Se despertei seu interesse, dê uma olhada nos artigos de Rob Cross na Harvard Business Review (também na edição em português) e, para quem tem facilidade no inglês, o seu livro recente (2004) em co-autoria:  “The hidden power of social networks: understanding how work really gets done in organizations”.

Aproveito para convidar os interessados para os próximos eventos da SBGC - Associação Brasileira de Gestão do Conhecimento: 

  • 8/11 no auditório da Fundação Nacional da Qualidade (com uma palestra sobre o uso de redes sociais na inteligência competitiva de uma empresa). Aguarde mais informações no site da SBGC
  • 29 e 30/11 o KM Brasil 2007
  • 11-12/12 o Congep em Brasília (gestão do conhecimento no setor público). Aguarde mais informações no site da SBGC.

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>>>SOBRE O AUTOR: Sérgio Storch é consultor associado à Plena Consultores, sócio-diretor da Content Digital  e presidente do pólo SP da Associação Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC) . É Engenheiro de Produção (Escola Politécnica da USP) e Mestre em Administração (MIT - Massachussetts Institute of Technology). Foi consultor do Gartner Group, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Foi também Diretor na Hewlett Packard e Diretor de Informações da Empresa de Planejamento Metropolitano da Grande São Paulo (EMPLASA).  Atualmente vem desenvolvendo trabalhos em gestão de mudança e governança de portais e intranets.

 

Created by storch
Last modified 18/10/2007 - 10:56

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