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Colunista

IMP-Brasil mostra que portais brasileiros ainda estão vivendo sua infância

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Pesquisa apresentou análises segmentadas – artigo apresenta os dados gerais e os relativos à análise por porte

Durante cinco meses (de 25/8/2004 a 25/01/2005), esteve no ar, na Internet, um mini-site específico para a pesquisa IMP-Brasil 2005 – o primeiro levantamento (tipo “survey”) sobre o Índice de Maturidade dos Portais Corporativos no país.

 

A partir do preenchimento de dados cadastrais básicos, o participante iniciava a resposta do questionário, com 11 perguntas de múltipla escolha, todas versando sobre aspectos fundamentais relacionados a portais corporativos.

 

Cada pergunta do formulário oferecia quatro opções de resposta. Os que optassem pela primeira opção acumulavam 5 pontos. Os que assinalassem a segunda resposta, recebiam 10 pontos. A terceira resposta valia 15 pontos, enquanto a quarta e última gerava um acúmulo de 20 pontos.

 

Com isso, foi possível categorizar as iniciativas de portais a partir de faixas relativas ao valor total de cada formulário, chegando ao índice IMP. Considerando que as pontuações mais altas representam portais mais aderentes às estratégias de negócio, as quatro faixas ficaram assim definidas:

Índice/Pontuação obtida Maturidade
Índice1: de 55 a 95 pontos Nada aderente ao negócio
Índice2: de 100 a 140 pontos Pouco aderente ao negócio
Índice3: de 150 a 185 pontos Razoavelmente aderente ao negócio
Índice4: de 190a 220 pontos Muito aderente ao negócio

Para composição da amostra, foram selecionados apenas os formulários preenchidos na íntegra, com respostas consistentes. Também foram eliminadas duplicidades.

 

Realizada esta depuração, chegamos a um conjunto final de 157 questionários válidos, de 157 empresas/instituições diferentes, oriundos de 15 estados de todo o país – número expressivo, que nos permite traçar um retrato significativo da realidade.

 

É comum ver, em pesquisas internacionais relativas ao mercado de portais, estimativas do tempo que levará para que eles tornem-se efetivamente itens de “missão crítica” (ou seja, fundamentais e essenciais) na maioria das empresas. Os resultados mais pessimistas apontam para 2008 como a data provável para que isso aconteça – considerando, em geral, a realidade dos EUA.

 

Na verdade, isso já está acontecendo no mercado norte-americano. No preâmbulo de sua mais recente pesquisa, com usuários de seu produto, a Plumtree (tradicional fabricante de software para portais corporativos) cita duas outras pesquisas (realizadas com CIO’s americanos por Smith Barney e Goldman Sachs, respectivamente) que colocam os portais corporativos em primeiro lugar na lista das aplicações prioritárias para 2005 – acima de preocupações com segurança, ERP e CRM...

 

Se imaginarmos que há um gap entre aquele contexto e o nosso, brasileiro, poderíamos projetar um prazo um pouco mais dilatado, talvez algo em torno de 2010 para que as empresas aqui sediadas despertem para a importância dos portais em sua competitividade. Isso nos levaria, a priori, a concluir que estamos falando de um mercado ainda incipiente – ou imaturo.


Imaturidade ainda é a tônica

 

Os resultados do IMP-Brasil reforçam esta visão. O Gráfico acima indica que, sim, estamos vivendo a infância do mercado de portais corporativos no Brasil. Afinal, pouco mais de 7% dos participantes avançaram a ponto de construírem um ambiente onde a integração e a colaboração joguem a favor de objetivos estratégicos maiores – característica fundamental dos portais corporativos, que os diferenciam das intranets de primeira e segunda gerações.

 

O gráfico citado traz também um alerta: nossas empresas e organizações precisam acelerar o passo, já que portais corporativos são complexos por natureza, demandando um razoável tempo para seu planejamento e implantação.

 

Também não deixa de impressionar a constatação de que mais da metade dos respondentes (52,23%, somando os índices 1 e 2, mais imaturos) está em estágios ainda muito incipientes na construção de um ambiente digital favorável à gestão de processos, à gestão do conhecimento e à inovação.

 

COMPARANDO COM A MÉDIA

Até agora, trabalhamos sempre com quatro níveis de classificação, indo do nível 1 ao nível 4, onde este último representa o grau mais maduro de todos. Isso nos permite visualizar claramente as faixas de enquadramento, algo fundamental para entendermos o grau de avanço do IMP. Entretanto, para que possamos estabelecer uma perspectiva de tendência do mercado, o agrupamento em níveis não é a melhor solução.

 

Por isso, optamos também pela construção dos gráficos de média, em todos os pontos de um determinado tema, para um determinado grupo, foram somados e divididos pelo número de parcelas, chegando a uma média aritmética das respostas para cada uma das 11 perguntas.

 

Além disso, plotamos também a média geral (soma do total de pontos, que variavam de 5 a 20 por questão, dividida por 157 – número total de participantes da pesquisa), que se repete em todos os gráficos de forma idêntica.

 

Estes gráficos também permitem verificar com mais clareza quais são os temas que se encontram, em média, mais avançados e quais aqueles em que a pontuação ainda é baixa, identificando os pontos positivos e as dificuldades de cada segmento.

 
IMP x TEMA x PORTE

Neste gráfico, colocamos no eixo X os temas das 11 questões da pesquisa e no eixo Y a variação de pontuação (de 5 a 20).

 

O gráfico de média por Porte (vide abaixo) nos mostra com maior clareza que as empresas pequenas têm pontuação igual ou superior aos outros dois segmentos em 10 dos 11 temas – só perdem no quesito “Documentos”, quando perde para o segmento de Grande Porte, mas ainda assim supera as de Médio Porte. Seguindo o mesmo desenho, as de Pequeno Porte igualam ou superam a média geral em tudo, menos em “Documentos”, ficando claro que este é o ponto mais fraco do segmento.

 

Vale ressaltar ainda que é no Pequeno Porte que aparece a maior média de maturidade em um tema, comparando-se todos os três gráficos de linha: quase 18 pontos no tema “Acessos”, quando a média máxima seria de 20. Esta média é bem superior a todas as demais neste tema, sendo a única acima da média geral na análise por porte. Em contrapartida, há um forte declínio das médias nos últimos cinco temas, que reúnem questões de suma importância.

 

Portanto, isso parece confirmar que os bons resultados deste segmento estão muito mais relacionados à menor complexidade do que ao fato de possuírem portais corporativos avançados.



Grande Porte é o segmento que menos oscila e melhor pontua em temas importantes 


Já as empresas de Médio Porte estão claramente abaixo das demais em quase todos os temas, apresentando as maiores deficiências em “Conteúdo” e em “Busca” (que são também, por sinal, as duas piores médias da média geral). Somente em “Atuação”, “Atualização” e “Gestão” ela se aproxima ou se iguala à média geral, sem jamais superá-la.

 

O segmento de Grande Porte, por sua vez, é o que mais flerta com a média geral, acompanhando de forma consistente o seu desenho, ora igualando-se, ora ficando abaixo, ora acima. Merece destaque o fato de que, em temas de suma importância (últimos seis temas), a pontuação das grandes foi igual ou superior a todos, incluindo a média geral. Isso parece sugerir que neste segmento está o maior investimento em estruturação, o que permite uma gestão eficaz da informação, estabelecendo fluxos direcionados que apóiem a tomada de decisão, filtrem a overdose de informação e aproximem talentos com interesses similares, estimulando a troca de conhecimento tácito e a inovação.

 

Chama atenção, por fim, o fato de que as maiores pontuações da pesquisa, em termos de média, acontecem justamente nos temas menos específicos ou de importância relativa também menor. Com isso, tem-se um claro desenho descendente, tanto da média geral quanto dos segmentos, o que explica o baixo percentual de empresas brasileiras com portais corporativos muito aderentes ao negócio.

 

 

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O presente artigo foi extraído do “Relatório Final do IMP-Brasil 2005”, pesquisa realizada pela Plena Consultores. O Sumário Executivo pode ser baixado gratuitamente no hotsite da pesquisa, em http://www.plenaconsultores.com.br/imp2005, onde também é possível adquirir a versão completa, com mais de 50 páginas e 36 gráficos, em PDF ou impressa a laser colorida.

 

Todo o relatório do IMP foi redigido por este colunista que vos fala. Outra oportunidade de conhecer mais detalhes da pesquisa será dada durante o workshop que ministrarei nos próximos dias (4 e 5 de novembro, sexta e sábado), com inscrições abertas em http://www.intranetportal.com.br/w5 - últimas vagas! O tema é “Planejando seu portal corporativo” e estarei apresentando vários gráficos da pesquisa durante o curso.

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SOBRE O AUTOR: Ricardo Saldanha é especialista em intranets e portais corporativos, profissional de marketing e Diretor de Tecnologia do Polo-SP da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC). Assina a primeira coluna brasileira sobre intranets, no site Webinsider, e mantém o blog “Intra”. Fundou o site Intranet Portal e é moderador e fundador da lista internacional de discussão WI Intranet. É Consultor e Diretor Executivo da Plena Consultores.

 

Created by saldanha
Last modified 08/05/2006 - 12:05

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