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Colunista

O Comportamento dos Grupos e as Equipes de Brainstorming

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Gisela Kassoy nos convida para uma reflexão sobre a composição e a participação dos chefes em equipes de brainstorming e o relacionamento virtual.

Beto do Valle - especialista em estratégia e gestão do conhecimento - pergunta, aqui mesmo, no Intranet Portal, se não é interessante planejar a composição da equipe de participantes de uma sessão de brainstorming.

 

Garanto que sim. Aliás, não só a composição da equipe, mas também as áreas-foco para idéias, a metodologia, formas de aquecimento... Fiquemos com a equipe, por enquanto.

 

O Beto diz que a participação de pessoas de vários perfis, formações e culturas, inclusive de áreas não envolvidas no projeto, traz resultados mais interessantes. Concordo mais uma vez, mas há algumas variáveis que precisam ser consideradas.

 

No artigo anterior mencionei estudos que esfacelam o mito da produtividade da geração de idéias em equipe. Comecemos explorando a questão da conformidade, o grande vilão da ousadia entre os times de trabalho.

 

Conformidade é um fenômeno social que faz com que qualquer grupo tenda a se homogeneizar.  Com o convívio, as pessoas absorvem inconscientemente comportamentos e valores uns dos outros. Quanto mais estreito e duradouro for o relacionamento, mais as pessoas tendem a pensar e agir de forma semelhante. 

 

Há também um aspecto da conformidade que é consciente: convivendo em grupo, as pessoas desenvolvem uma boa noção do que devem ou não devem fazer, o que “pega bem” ou não. Nesse caso, a opção entre atuar dentro da conformidade é calculada  e varia de acordo com o perfil de cada um. 
 
Daí a importância de chamarmos para o brainstorming pessoas que não sejam membros das equipes, sejam elas de outras áreas ou novatas. Sem falar da riqueza de ter como convidado um cliente, por exemplo, que necessariamente tem outros pontos de vista. Por outro lado, seres humanos precisam sentir-se bem para poderem opinar. Segundo William Schutz, pesquisador de Harvard, os grupos passam pelas seguintes fases:

 

Inclusão - Inicia a interação. Nessa fase, os indivíduos têm necessidade de se sentirem considerados pelos outros, de perceberem que sua presença no grupo é de interesse para os demais.

 

Algumas pessoas ainda não incluídas em uma equipe tendem a ser mais observadoras e não farão nada que não seja a voz comum; outras necessitam ser notadas e são capazes inclusive de comportamentos dissonantes para marcar espaço. Esta dissonância não é necessariamente construtiva, mas, em se tratando de brainstorming, o facilitador pode aproveitá-la para incluir a pessoa nova.

 

Um exemplo: conduzi um grupo de desenvolvimento de estratégias de marketing no qual um novo participante deu uma idéia profundamente anti-ética, causando um certo mal estar aos demais. Imediatamente eu reforcei a regra de não censurar e desafiei o grupo a aproveitar o que havia de viável na idéia anterior. Todos ficaram mais à vontade e a idéia acabou levando o grupo a uma proposta bastante original, porém ética e viável.


Controle – Esta é a fase do “quem é quem”, na qual se estabelecem relações de mando e autoridade. Nesse momento emergem os líderes, os rebeldes, os brincalhões, os seguidores, etc. É uma fase de jogo de forças, competição por lideranças, discussões e formulação de normas de conduta dentro do grupo. Cada um busca atingir um lugar satisfatório às suas necessidades de controle e influência. O facilitador pode aproveitar os papéis recém estabelecidos. O que eu faço, por exemplo, é pedir ao menos tímido que inicie a dar idéias.

 

Estimular a competição é uma faca de dois gumes: boa na fase divergente, quando as pessoas devem contribuir com o maior número de idéias possível, tende a ser daninha na fase de avaliação das idéias, quando a competição fará com que cada um acredite que a própria idéia é a melhor.


Abertura – É a fase da afetividade, confidências e aceitação. Os participantes já se sentem à vontade para discordar, colocar seus pontos de vista, sair da caixa. Esta fase é o “melhor dos mundos” para o brainstorming, mas nem sempre é o que vamos encontrar. Nem por isso a sessão de idéias não dará frutos: cabe ao facilitador entender o momento da equipe e dos participantes novos. Assim como ele pode aproveitar cada etapa conforme ela se descortina, pode também alavancar a equipe rumo à abertura. Daí o uso de dinâmicas de aquecimento, locais diferenciados e descontração.

 

E O CHEFE?

Outra pergunta que me fazem com freqüência é se o chefe pode participar. Se estivéssemos nos anos 80 eu diria que não. Atualmente, eu digo que mesmo o mais liberal e descontraído dos chefes pode participar desde que não seja visto como autoridade. Não falo de autoritarismo, mas da autoridade natural de quem sabe mais: durante a geração de idéias ninguém sabe mais do que ninguém.

 

Só não recomendo que ele atue como facilitador, para não gerar confusão entre os diferentes papéis. O facilitador está antenado no processo do grupo e deve portanto estar fora do mesmo.

 

NA INTRANET

Já que o assunto aqui é intranet, proponho uma reflexão sobre inclusão, controle e abertura no relacionamento virtual. Mais do que isso, proponho uma discussão. Vocês topam?

 

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>>> SOBRE A AUTORA: Gisela Kassoy integra o time da Plena Consultores, além de possuir sua própria empresa no segmento de inovação. Expert em programas de inovação e atua na elaboração e desenvolvimento de Workshops de Criatividade e Inovação, Equipes de Geração de Idéias, Programas de Sugestões, Gestão da Inovação e Formação de Facilitadores. Graduada em Comunicações, possui pós-graduação em Dinâmica de Grupos e inúmeros cursos no exterior. 


 

Created by giselakassoy
Last modified 10/04/2006 - 21:02

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Comentários

Reconhecendo experiências e preparando as próximas

Posted by bvalle at 17/04/2006 - 09:59
Nada como a experiência de uma especialista!
É interessante como pude reconhecer em minha própria experiência diversos dos processos citados. Um olhar mais estruturado como o deste artigo permite entender melhor a dinâmica de interações do grupo de brainstorm e como essa dinâmica influencia seus resultados.
Certamente em minhas próximas experiências poderei enxergar o processo de uma forma nova.
Quanto à proposta da discussão envolvendo a Intranet, eu topo.
Parabéns à Gisela pelo artigo!

Excelente!

Posted by fernanda_veras at 17/04/2006 - 10:34
adorei esse artigo!




 
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