Integração como palavra de ordem
Como a tecnologia inerente às aplicações de portal corporativo e gestão do conhecimento – em suas camadas de ferramentas, plataformas, linguagens etc – podem trazer benefícios claros para as organizações? Essa é a pergunta maior que esta coluna vai sempre buscar responder. Mas também questionar.
A idéia é trazer para nossa discussão comentários sobre as ferramentas de gestão de portais e correlativas, como as específicas para gestão de conteúdo, apresentando suas vantagens técnicas, mas também observando sua adequação aos diferentes portes, setores de mercado e níveis de maturidade das empresas.
GRANDES TEMAS, GRANDES CONTENDAS
Assim, estaremos focando os “big players”, como Microsoft, Oracle, IBM, SAP, Vignette e outras conhecidas do público corporativo, além da necessária abordagem das ferramentas brasileiras, como Cadmus, Lumis, Navita e Calandra, dentre outras – sempre buscando total isenção. Mesmo o debate sobre software livre e de código aberto estará presente.
Quem vencerá, J2EE ou .NET? Windows ou Linux? Haverá mesmo vencedores? Como ficam os sistemas legados? Será que estas são realmente as perguntas fundamentais e importantes? Serão elas meras disputas comerciais?
De qualquer forma, o discurso da coluna será sempre focado na utilização prática das ferramentas. Também terei como meta uma contínua preocupação em fugir dos jargões utilizados em TI, muito embora nem sempre seja possível – momento em que se torna fundamental traduzir e explicar os termos, permitindo um aproveitamento dos profissionais que atuam nas diversas áreas da corporação, como comunicação, recursos humanos e departamento comercial, por exemplo.
AGREGANDO TECNOLOGIAS
Espaço inaugurado, vamos para a primeira polêmica: definida a plataforma ou linguagem para o portal corporativo, será que todas as demais tecnologias existentes na organização estarão automaticamente excluídas? Ou terão que ser migradas?
O portal corporativo não é uma ferramenta apenas; não é uma aplicação ou sistema. O Portal corporativo deve ser visto como um ambiente, uma entidade viva dentro das empresas, que contém (e deve conter) interfaces para os diversos sistemas e aplicações já existentes nas corporações (também conhecidos como “sistemas legados”). Afinal, o mundo não começou ontem.
Os portais estão vivendo o que, há alguns poucos anos, aconteceu com os sistemas de gestão corporativa (conhecidos pela sigla “ERP” – enterprise resource planning) – sistemas estes que, por sinal, também alimentam o portal corporativo. Interagir com as demais aplicações da empresa era tarefa praticamente impossível, senão absurdamente cara e demorada. De uma forma ou de outra, o ERP era/é um grande desafio.
As soluções para lidar com os legados era a duplicação de bases de dados e um ou outro processo manual na importação/exportação de dados. Nada produtivo, não? Claro que essa condição ficou insustentável, principalmente para as empresas que passaram por processos de fusão – e foram muitas, na última década. Ou seja: diferentes empresas precisavam congregar seus processos e sistemas, mas pouca tecnologia havia para apoiar essa integração.
A situação tem melhorado bastante, com as grandes empresas do setor de ERP dedicando-se a fazer adições “colaborativas” importantes a seus sistemas, quer seja facilitar a importação ou exportação de dados (por exemplo, o Xi da SAP), ou melhorar suas interfaces web (por exemplo, Oracle Portal).
Atualmente, também, já existem diversos formatos que tornam a vida do integrador e desenvolvedor mais fácil, como o XML, RSS (para conteúdo), e até mesmo padrões de estrutura, como o tableless.
INTEGRAÇÃO SEM FIM
Assim, é possível transformar o portal corporativo no ponto inicial e final de toda informação (automaticamente, em alguns processos) integrando tecnologicamente com outros sistemas. Portanto, uma organização não deve deixar de se beneficiar com uma ferramenta ideal somente porque foi desenvolvida em uma tecnologia diferente da plataforma implementada no portal corporativo.
É sempre preciso fazer uma equação de custo-benefício, ao invés de descartar a priori. Por exemplo, se um gerenciador de treinamentos (LMS – learning management system) com tecnologia de código aberto (open source) for o ideal para uma empresa, é necessário avaliar se vale a pena fazer algo para integrar seus dados de recursos humanos
É neste contexto que o portal corporativo: grande necessidade de integração e até de interoperabilidade. Trata-se de um caminho sem volta, onde a tendência é termos no mercado meios cada vez mais fáceis de aproximar os diferentes.
=====================
>> SOBRE O AUTOR: Silvio Rodeguero é consultor, com amplo background nas áreas de comunicação e tecnologia. Acumula uma vasta experiência em projetos web, como solucoes em marketing e midia, negócios, conteúdo editorial, tecnologia, e-business, comércio eletrônico b2b e varejo, em empresas como BankBoston, Unibanco, Itaú, Banco 1, Bradesco, Meridional, Santander, Bozano,Simonsen, Unibanco, Unibanco Seguros, Unibanco Financeira, Real Seguros, Rodobens Seguros, Credicard, Camargo Correa, Microtec, Epson, ADP Systems, Ericsson, Suvinil, Gessy Lever, Giovanni Comunicações, Citroën, Ford, Fiat, Panamco, Alcoa, Agência Estado, Cargill, Bradesco, Alcoa, Varig, HSBC, CPFL e Ticket Servicos. Pioneiro da internet, teve passagem marcante pelo provedor Terra. Atualmente, atua como Gerente de Contas da Conectt, atendendo empresas como CPFL e Schering Plough, dentre outras.

