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Colunista

Análise das Características Organizacionais de Suporte à Administração de Intranets e Portais Corporativos

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Confira a última parte do melhor trabalho científico do 5o. KM Brasil - neste artigo, em parceria com Marta Araújo Tavares Ferreira, nosso colunista analisa as condições oferecidas pelas organizações brasileiras e portuguesas para o desenvolvimento e a manutenção de intranets e portais corporativos.

Continuação...

Resultados
No 1º. semestre de 2005, foram obtidas 168 respostas (98 organizações do Brasil e 70 de Portugal), resultando em uma taxa de retorno estimada de 4,99%. Como os testes estatísticos indicaram que não existiam diferenças significativas entre o padrão das respostas brasileiras e portuguesas, as análises subseqüentes foram feitas sem levar em consideração a nacionalidade. Adotando os critérios do SEBRAE (2005) para classificar organizações brasileiras e portuguesas, a classificação de porte obtida é apresentada na TABELA III.

TABELA III
Classificação de porte da amostra segundo critérios do SEBRAE

Porte / Setor Indústria Comércio / Serviços Totais
Pequena Empresa 0 25 organizações (15%) 25 organizações (15%)
Média Empresa 16 organizações (10%) 0 16 organizações (10%)
Grande Empresa 20 organizações (11%) 107 organizações (64%) 127 organizações (75%)
Totais 36 organizações (21%) 132 organizações (79%) 168 organizações (100%)

De acordo com os critérios do SEBRAE (2005), verifica-se uma predominância de grandes empresas na amostra, com destaque para o setor de serviços. Os setores de atividade predominantes na amostra foram os seguintes: governo (16%), tecnologia da informação (13%), setor financeiro (10%), indústria química e petróleo (8%),  educação (7%), telecomunicações (6%) e o restante disperso entre 13 setores.

Tanto o convite individual feito na rede de contatos dos autores quanto o convite para participação na pesquisa feito na lista de discussão, eram direcionados ao responsável pela administração da intranet ou portal corporativo. Caso não existisse essa função na organização, a mensagem solicitava que o convite fosse encaminhado para o gestor de TI. Entre os respondentes, 14,3% é composto por gerentes de TI, 12,5% por administradores da intranet/portal, 8,3% por líderes de projeto de TI, 6,0% por líderes de projetos de gestão do conhecimento, 6,0% por analistas de sistemas e o restante se encontra disperso entre 15 funções relacionadas com RH e comunicação interna.

A análise descritiva para cada uma das questões sobre práticas de administração da intranet é apresentada na TABELA IV. A nota 10 representava o nível máximo de atendimento à variável proposta.

TABELA IV
Análise descritiva das variáveis: características organizacionais de suporte a intranet

Variáveis Descrição Média Moda Mediana Desvio Padrão
org1 Perfil multidisciplinar da equipe 4,9 1 5 3,4
org2 Projeto formal da intranet 5,1 10 5 3,4
org3 Orçamento específico para intranet 5,5 5 6 3,3
org4 Análise do log da intranet 5,2 0 5 3,2
org5 Pesquisas de opinião / reuniões com usuários para avaliar a intranet 3,9 0 3 3,1
org6 Envio de críticas e sugestões pelos usuários 5,4 10 5,5 3,6

De maneira geral, as médias das variáveis apresentaram valores baixos e, com exceção da variável pesquisa com usuários (org5), apresentaram comportamentos muito parecidos, com médias variando entre 4,9 e 5,5. Os resultados refletem a falta de apoio organizacional mais evidente para a manutenção e desenvolvimento das intranets. O diagnóstico é que faltam nas equipes que administram as intranets recursos humanos com perfil adequado (org1), recursos financeiros (org3) e planejamento (org2). Além disso, os resultados indicam baixa interação das equipes responsáveis pelas intranets com os usuários (org4, org5 e org6), com destaque negativo para a variável org5, que mensura a existência de reuniões com usuários e pesquisas de avaliação. Como a equipe da intranet é sub-dimensionada, muito provavelmente faltam tempo ou disponibilidade para ouvir e envolver os usuários. 

Considerando-se que a alocação de recursos é um indicativo da importância de uma área ou projeto na organização, constata-se que a equipe responsável pela intranet carece de visibilidade estratégica. Tal constatação é semelhante à obtida por Breu et al. (2000) em dois estudos de casos detalhados em organizações inglesas. Os autores apontaram a falta de definição clara sobre a responsabilidade pela gestão da intranet como um dos principais fatores para a subutilização e estagnação da intranet como um mero sistema de apoio, sem trazer maiores implicações estratégicas para os negócios das organizações.

Além disso, a falta de recursos humanos e financeiros atua como um fator limitador no ritmo de evolução da intranet em direção ao portal corporativo. Portanto, não é de se esperar uma evolução súbita das intranets atuais em direção aos portais do conhecimento corporativo enquanto as médias das características organizacionais de suporte às intranets se encontrarem nos patamares atuais. Faltaria à equipe o fôlego necessário para implementar as melhorias técnicas. A conclusão é que o caminho evolutivo da intranet para o portal é longo e tende a ser percorrido em passos lentos. 

Alguns resultados dessa pesquisa são semelhantes aos obtidos no estudo desenvolvido pelos australianos Barker e Robertson (2005) em 284 organizações. Os autores concluíram que as equipes da intranet muito freqüentemente não têm as competências necessárias para produzir uma boa intranet. A pesquisa australiana revelou que apenas 31% das equipes têm alguma formação em Biblioteconomia e apenas 52% em arquitetura da informação e usabilidade, aspectos esses considerados fundamentais para garantir uma boa intranet. Segundo Barker e Robertson (2005), apenas metade das organizações pesquisadas tinha um sistema de gerenciamento de conteúdo e 42% dos participantes consideraram que os recursos financeiros e humanos destinados à manutenção das intranets são escassos ou muito escassos. 

Conclusões
Uma conclusão que serve de alerta às organizações é de que as equipes de apoio à intranet estão com menos recursos humanos e financeiros do que seria recomendado. Utilizando um linguajar econômico, pode-se afirmar que as condições necessárias e suficientes para um “crescimento sustentável” das intranets não estão asseguradas. Mantidas as condições atuais, a intranet se configura como um sistema de apoio, ficando ainda longe de ser uma ferramenta estratégica para o trabalhador da era do conhecimento. Na maioria das organizações analisadas, a administração da intranet parece beirar o amadorismo.

Outro aspecto preocupante identificado pela pesquisa foi o reduzido nível de interação entre as equipes responsáveis pela intranets com os usuários. Os resultados demonstraram que os usuários dispõem de poucos canais formais para manifestarem suas opiniões já que a maioria das organizações analisadas prefere entender o usuário através da análise dos dados do log de acesso da intranet e não através de reuniões e pesquisas de avaliação. Os dados levam a crer que a equipe da intranet sofre de problemas de visibilidade organizacional, tendo como efeitos colaterais a incapacidade de obter recursos e a dificuldade de se relacionar com seus usuários.

Em síntese, o conselho para os gestores das intranets seria o seguinte: antes de buscar deficiências técnicas na intranet, identifiquem as deficiências nas equipes quanto ao número de pessoas e suas formações, quanto ao planejamento e à alocação de recursos financeiros.

Essa análise provavelmente resultará na identificação das necessidades de se construir um planejamento de médio prazo para a intranet, de se elaborar formas de envolver os usuários e de se melhorar a formação da equipe. As deficiências identificadas por essa pesquisa devem ser interpretadas pelos gestores das intranets como oportunidades de melhoria, subsidiando ações futuras para a promoção do uso de intranets e portais corporativos como ferramentas de apoio à Gestão do Conhecimento.


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>>> SOBRE O AUTOR: Rodrigo Baroni é professor, consultor e autor do livro "Tecnologia da Informação aplicada à Gestão do Conhecimento". É professor do curso de Ciência da Computação da Universidade Fumec e do curso de Ciência da Informação da PUC Minas, além de analista de sistemas do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e Doutorando da Escola de Ciência da Informação da UFMG. Atualmente, é bolsista do CNPQ (modalidade doutorado-sanduíche) na Universidade de Toronto, sendo orientado pela Profa. Marta Ferreira (UFMG) e pelo Prof. Chun Wei Choo, autor do livro "Knowing Organization".

Created by baroni
Last modified 06/12/2006 - 09:49

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