Quem é o síndico da sua intranet?
Aqui entre nós, uma coisa consegue ser pior do que reunião de condomínio: faltar à reunião de condomínio. Ao não participar do debate, você perde a chance de defender os seus interesses e evitar que uns poucos imponham decisões injustas ou bizarras. Alguns problemas só mudam de endereço, e isso vale tanto para edifícios quanto para intranets. Daí a importância de se estruturar a governança desse canal.
Tudo bem, essa não é lá uma analogia brilhante... mas pense nos pontos em comum entre um condomínio mal administrado e uma intranet sem liderança. Ou melhor ainda, vamos ver alguns exemplos do prédio de um amigo meu, que vive reclamando dos vizinhos – e imaginar como eles poderiam acontecer no mundo corporativo:
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Condomínio Varandas Hipotéticas |
Intranet da Acme do Brasil |
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“A Dona Geni, do 601, encheu a portaria de poltronas de vime. Além de não combinar com a decoração, a mobília atrapalha a passagem. O síndico fingiu que não viu.” |
Um departamento insiste em demandar pop-ups na home page, e o editor da intranet cansou de explicar que eles prejudicam a usabilidade da intranet. O pisca-pisca continua. |
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“Só um dos três elevadores está funcionando, para variar. De manhã é um verdadeiro engarrafamento de gente.” |
O servidor cai ou fica muito lento com freqüência. Faltam investimentos em TI e planos de contingência. E a credibilidade da intranet... |
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“Vivo recebendo correspondência de outros apartamentos por engano. Isso sem contar encartes de lojas, que entopem o meu escaninho.” |
A intranet e os comunicados não têm conteúdo segmentado. Qualquer um pode criar listas e mandar e-mails para os grupos que bem entender. |
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“O Maurício, do 302, vive estacionando o carro na minha vaga. Ele deve ser amigo do síndico, porque nunca foi multado” |
Algumas áreas se vêem no direito de “furar a fila” das demandas. Esse favorecimento, proposital ou não, passa a idéia de pesos e medidas diferentes na gestão da intranet. |
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“Estão refazendo o jardim do prédio, mas a garagem continua com infiltração. Não seria melhor começar pelas obras urgentes?” |
A priorização dos investimentos é mal feita ou não passa pela validação de um comitê. Esse processo decisório é é fundamental para a manutenção evolutiva da intranet. |
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“As atas das assembléias são muito vagas e mal documentadas. Com o tempo, fica o dito pelo não dito.” |
A gestão de conteúdo é tratada como um nome bonito para redação. Mas ela vai muito além disso, regendo os fluxos de autoria, edição, publicação e arquivamento de conteúdo. |
Brincadeiras à parte, algum desses exemplos soou familiar? Você deve ter percebido que uma coisa falta em todos eles: liderança. Mas isso não quer dizer que um ditador de plantão é a resposta. Liderança não é sinônimo de ditadura. Um bom administrador articula com especialistas em vez de tentar resolver tudo sozinho. Por isso, os condomínios têm comitês para assuntos como obras, contabilidade e compras.
SOZINHO, FICA DIFÍCIL
Em uma governança de intranet ou portal corporativo, também é assim: áreas-chave definem regras, diretrizes e métricas em consenso. Planejam juntas, avaliam juntas, trabalham juntas. Ou melhor, é assim que deveria ser para evitar a dispersão de iniciativas e os conflitos sem fim.
Às vezes faltam candidatos à vaga de “síndico”. Também acontece de sobrarem candidatos, mas faltar talento e conhecimento para encarar essa empreitada. Em outros casos, uma área da empresa até já cuida da intranet, mas de uma forma míope – como aquele gestor de RH que encara o canal como um mural eletrônico e catálogo de benefícios.
Essas duas aplicações estão corretas, claro, mas não são as únicas. O problema não está na coordenação do RH, do Marketing ou de outra área qualquer. O fato é que a web, em geral, tem natureza multidisciplinar. Dificilmente, uma única gerência ou diretoria consegue enxergar todas as possibilidades e pôr a mão na massa para criar um verdadeiro... portal corporativo.
Ops, falei em “portal corporativo”, mas vou ter que deixar esse conceito para um próximo artigo. O mesmo vale para a lista das principais políticas, normas e rotinas regidas pela governança web. Por enquanto, pense que, sem uma boa gestão, ganha quem grita mais alto. E, se esse for o caso na sua empresa, prepare a voz e trace o seu plano – essa é uma boa oportunidade para o surgimento de um líder.
E agora, está mais animado para a “reunião de condomínio” da sua intranet? ;-)
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SOBRE O AUTOR: Daniel Aisenberg é diretor da agência de conteúdo Palavra-Chave (www.palavrachave.info), que atende a organizações como Infoglobo, El Paso, SESI e Programa Par – da Caixa Econômica Federal. Formado em jornalismo e pós-graduado em Marketing pela FGV, Daniel trabalha com comunicação on-line desde 1996, acumulando larga experiência em veículos como Cadê?, JB Online e O Globo Online. Foi responsável pelos websites da Brasil Telecom de 2001 a 2004, onde também coordenou campanhas de publicidade na internet. Como professor, atualmente leciona gestão de conteúdo na ESPM e na PUC-Rio.
Publicado originalmente no site da Jump e republicado aqui com anuência do autor
Last modified 13/08/2008 - 23:32
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