Skip to content

Add to Google
alt
alt
alt
Personal tools
Quem Somos Patrocine Lista de Discussão Eventos Fale Conosco Seja um Colaborador Biblioteca
You are here: Home » Conteúdo na Prática » Olhando o conteúdo sob as lentes de um microscópio
Colunista

Olhando o conteúdo sob as lentes de um microscópio

Document Actions
Quem disse que a gestão de conteúdo só vive de estratégia e de grandes decisões? A rotina do editor está recheada também de pequenas coisas - mas que fazem toda a diferença

No artigo anterior, tivemos uma visão geral sobre o papel do editor, que responde por toda a comunicação de uma intranet ou de um portal corporativo. Agora, que tal darmos um salto do conceitual para o prático? É importante falar de estratégia e pensar macro, mas um bom trabalho de editoria web também depende de pequenas decisões. De detalhe em detalhe, o editor corre atrás para manter a qualidade, a consistência e a eficácia do conteúdo no dia-a-dia.

 

Alguns desses detalhes são chamados de microconteúdo – títulos, chamadas e mensagens de sistema, por exemplo. Outros têm a ver com versões de plug-ins, menus dinâmicos e sacadas de interface. Normalmente, você só percebe que eles existem quando alguma coisa está errada. Ah, mas é aí que entra o nosso amigo editor, passando o pente fino para evitar mancadas e aproveitar oportunidades de comunicação. Aqui vão alguns exemplos:

 

Peso de peças publicitárias: todo mundo diz que entende a importância da usabilidade, de um site carregar rapidamente, etc e tal. Mas, na prática, nem sempre é assim: por distração ou pela ansiedade em criar peças criativas, agências e produtoras exageram na dose, tornando a página pesada demais. Esse problema é mais grave em sites, acessados pelo público externo, mas também ataca intranets com restrições de banda ou equipamento dos usuários.

 

É um barato publicar um banner dinâmico e cheio de recursos, mas o editor precisa avaliar se ele não vai sacrificar uma página já sobrecarregada. Aliás, a questão não é apenas quantos Kb tem a peça, e sim o peso total da página com ela. Em uma home page de 120 Kb, um banner de 40 Kb pode prejudicar a experiência de navegação; já numa página interna de 60 Kb, provavelmente a criação turbinada teria sinal verde. Trocando em miúdos: o editor sempre deve considerar o contexto, definindo regras próprias para cada ambiente.

 

Plug-ins de última geração: a nova versão do Flash é sempre mais legal que a anterior, e é claro que os webdesigners e diretores de criação adoram inovar. Mas, como o editor deve pensar estrategicamente, às vezes precisa barrar os mais entusiasmados. Se a maioria do público-alvo tem uma versão mais antiga do plug-in, a atualização pode não valer a pena, principalmente se não agregar um valor efetivo para o site. Assim como a tecnologia, os recursos criativos servem aos objetivos do negócio – e não o oposto. O editor é um guardião desse lema no dia-a-dia.

 

Mensagens pré-carregamento: já que estamos falando de Flash, você sabia que ele tem um dos recursos mais subaproveitados da web? É o pre-load, uma espécie de “show de abertura” para o evento principal, a animação propriamente dita. A idéia é transformar um tempo morto em oportunidade de comunicação. Em lugar daquela barrinha chata (“download a tantos %”), entra um conteúdo que pode ser texto, imagem e até mesmo um passatempo interativo. Algumas agências já fizeram maravilhas com o pre-load, mas a maioria simplesmente ignora essa funcionalidade.

 

Um exemplo de conversão do tempo de carga (problema) em uma chamada de venda (oportunidade) foi o que fizemos no site de uma empresa de telecom: enquanto o cliente esperava o download de um tutorial animado, a janela promovia o serviço de acesso rápido à internet. Era mais ou menos assim: “Está demorando? Se você tivesse o nosso ADSL, a animação já teria começado. Clique aqui para saber mais”. A agência implementou o pre-load, mas a idéia foi do editor de conteúdo.

 

Microconteúdo: você está navegando no site do seu banco, bem produzido e estruturado, quando decide solicitar uma cotação de seguro. De repente, durante o envio do formulário, aparece uma janela pop-up: “Erro. Tente mais tarde”. O que você faria, além de soltar um palavrão? Algumas pessoas tentariam de novo, e provavelmente muitas desistiriam – por falta de confiança, irritação ou mero esquecimento. Nesse caso, a culpa é do sistema?

 

Em parte, sim, mas a mensagem de erro é que mandou o cliente embora. Em vez de apenas relatar grosseiramente a falha, a mesma janela poderia ter apresentado alternativas:

 

-         Um 0800 para o cliente pedir a cotação por telefone, naquela hora mesmo;

-        Um campo onde o cliente informaria seu e-mail ou telefone, para o banco entrar em contato;

-         Uma explicação provável para o erro, acompanhada de um pedido de desculpas.

 

Repare que o problema não está só na redação da mensagem, mas em seu teor. Esse microconteúdo deve ser gerenciado pelo editor, em vez de ficar nas mãos de programadores ou até de regras automatizadas de sistema. Uma única mensagem infeliz pode jogar fora uma oportunidade de negócio.

 

Outros tipos de microconteúdo, por menores que sejam, também merecem atenção:

 

-        Título do HTML, o nome da página que aparece na barra superior do browser;

-         Assinaturas de e-mails da empresa;

-        Assunto e remetente (sim, ele também é importante!) em peças de e-mail marketing;

-        Chamadas e nomes de links distribuídos pelo site;

-        Telas de agradecimento e confirmação;

 

Tem mais, mas você já deve estar cansado... ;o)

 

Viu quantos detalhes? Vamos voltar a esse assunto em futuros artigos, mas já deu para ter uma idéia da riqueza do conteúdo sob a lupa do editor. Aliás, por falar em riqueza, convido você a contribuir com idéias para esta coluna. O que você quer saber sobre editoria web e conteúdo na prática? Pense daí, envie um e-mail para mim ou faça um comentário. Será um prazer interagir contigo. Um abraço e até a próxima!

 

=====================

>> SOBRE O AUTOR: Daniel Aisenberg é consultor e Diretor da Palavra-chave. Pós-graduado em Gestão Estratégica de Marketing pela FGV - DF e graduado em Jornalismo, trabalha com internet desde 1996. Acumula ampla experiência em veículos digitais como Cadê?, JB Online e O Globo Online. Foi responsável pela Comunicação On-line da Brasil Telecom de 2001 a 2004, onde coordenou a reformulação do site e as campanhas de publicidade on-line da operadora. Como professor, Daniel já ministrou a disciplina curricular "Multimídia Jornalística" na Universidade Estácio

 

Created by aisenberg
Last modified 07/01/2005 - 10:40

Veja outras publicações deste autor
BOX DE INTERAÇÃO
O Intranet Portal quer saber sua opinião! Você pode incluir um comentário público sobre o artigo ou atribuir uma nota a ele. Participe!

Obs: para participar do "Box de Interação" você precisa ser cadastrado e ter feito o seu login.

Ranking deste artigo: 4.0 (3 votos)

Comentários

Controle de qualidade

Posted by iuristorch at 06/01/2005 - 13:03
Caro Daniel,

Gostei dos teus primeiros 2 artigos, e para continuar tendo o prazer de aproveitar a tua experiência, vou te propôr um assunto específico dentro desta coluna: o controle de qualidade de conteúdos produzidos descentralizadamente.

Estou participando do desenvolvimento de uma intranet com foco no compartilhamento de conhecimento entre os colaboradores da empresa, e isso exige, entre outras coisas, que as pessoas tornem explícito o que puderam aprender com a experiência. E muitas vezes uma pessoa tem muito a contribuir com seu conhecimento, mas não tem a "mandinga" do conteudista profissional para tornar o conteúdo gostoso de ler.

Me pergunto: como definir as responsabilidades na gestão da intranet? O ideal é haver profissionais alocados expecificamente para adequar o conteúdo, antes da publicação? Todos devem ser treinados para publicar seus conteúdos independentemente e com qualidade? O Editor tem também esse papel de "melhorar" o conteúdo produzido por terceiros?

Agradeço pelo que você puder compartilhar conosco da tua experiência com relação a esta questão.

Um abraço,

Iuri Storch

Menos é mais

Posted by saldanha at 07/01/2005 - 10:42
Daniel, parabéns pela abordagem prática, cheia de dicas. Muitas vezes pensamos só nos problemas macro e esquecemos que existem desafios diários a vencer - igualmente importantes. Certamente teu artigo vai encontrar eco em muitos leitores, envolvidos com estes pequenos grandes problemas.


Outros artigos deste autor



 
Powered by Plone