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Colunista

Afinal, editor pra quê?

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Você já viu engenheiro dirigindo revista? Ou jornalista projetando edifício? A Comunicação é uma disciplina consolidada no mercado, mas muitos ainda acham que ela não é fundamental em portais corporativos. Será?

Depois dos meus primeiros artigos (links à direita), recebi algumas mensagens questionando a necessidade de um gestor de conteúdo à frente de um site ou intranet. Uns defendem a total descentralização, incluindo a criação e publicação de conteúdo; outros preferem atribuir essas atividades a outros perfis, como gerentes de projeto.

 

Críticas assim são muito bem-vindas, porque enriquecem o debate e demonstram que o mercado está interessado no assunto. É para isso que o Intranet Portal existe, amigo leitor!

 

Então, vamos lá: por que um site precisa da coordenação de um editor? A resposta se baseia nas seguintes premissas:

 

  • Todo site ou intranet é (também) um veículo de comunicação. É claro que isso não invalida todas as outras características e aplicações de um portal corporativo, mas estamos falando, sim, de uma publicação – e toda publicação precisa de um editor, certo?

 

  • Os departamentos são naturalmente egoístas em qualquer organização, e isso não é novidade para ninguém. A intenção aqui não é criticar a forma como as empresas funcionam, mas ser realista: alguém precisa ter visão global e jogo de cintura para articular ações com os clientes internos, que estão ali “cuidando do seu”.

 

  • Programadores sabem programar, comunicadores sabem comunicar. Essa é uma das piores frases que eu já escrevi, mas me dê uma chance para explicar... :-) Cada um tem a sua expertise, embora muita gente se esqueça de algo tão óbvio. Profissionais de vendas, TI, RH e outras áreas geralmente não levam jeito para planejar, criar e gerenciar conteúdo. Não é a praia deles. Opa... mas é a do editor.

 

Todos os outros argumentos são filhotes desses três conceitos. Se você perceber que eles fazem sentido, o resto é conseqüência natural. Não é uma questão de hierarquia (“Comunicação manda nas gerências de negócios, que mandam em TI”), e sim de lógica (“Comunicação coordena o conteúdo, áreas de negócios gerenciam produtos e TI viabiliza tudo isso”). Precisamos ser lógicos na distribuição de funções e responsabilidades, enxergando além das velhas disputas de poder. É uma meta ousada, mas vale a pena tentar!

 

Voltando ao editor – ou gestor de conteúdo, tanto faz – podemos dizer que ele é a figura mais indicada para equilibrar as forças da organização no ambiente web. Soou um pouco “Jedi”, não é? Mas as tais forças, em geral divergentes, representam o viés de cada área envolvida na administração do portal. Clientes internos, parceiros e fornecedores têm seus próprios interesses e prioridades. Sem alguém no meio, focado no melhor resultado para o cliente e a empresa como um todo, essas forças podem transformar o portal em uma colcha de retalhos.

 

Para ilustrar esse conflito, vejamos posições típicas de algumas áreas. Mas atenção: as frases abaixo são uma generalização, quase uma caricatura, para ajudar a explicar o conceito do editor como “guardião do portal”. Sem ressentimentos, combinado?

 

Área comercial

 

  • “Bota essa promoção numa pop-up, logo na home page!”
  • “Esse negócio de opt-in é frescura. Vamos incluir os clientes automaticamente no mailing.”
  • “Esse texto tem que ser mais agressivo, deixa eu escrever aqui como vai ficar.”
  • “O Jurídico ainda não validou, mas vai em frente... vai dar tudo certo!”

 

Agência web

 

  • “A gente usou a última versão do Flash porque a animação é muito melhor. Os usuários vão saber baixar a atualização, não se preocupe!”
  • “A gente diminuiu a chamada de venda para a ilustração respirar melhor, porque ela passa totalmente o conceito do produto.”
  • “O redator novo que entrou está fazendo aquele texto, mas ele só tem uma dúvida: qual é o negócio de vocês mesmo?”

 

TI

 

  • “Essa ferramenta tem tudo o que você precisa. Qualquer coisa, a gente customiza depois.”
  • “A interface vai ter que ficar assim, porque o nosso contrato com o fornecedor não inclui customização. Mas vocês podem mudar a logomarca e a cor dos botões.”
  • “Nós fizemos as alterações de prioridade 3 antes, porque elas eram mais rápidas.”
  • “Não dá para fazer.”

 

Deu para pegar o espírito da coisa? Ainda vamos conversar mais sobre esse assunto, mas já está bom por hoje. Agora, convido você a opinar, concordar, discordar e pôr lenha na fogueira. É só usar a caixinha aqui embaixo, o espaço é todo seu. Um abraço e até a próxima!

 

 

 

Em tempo: se você se interessa por esta coluna, vai gostar de saber da "Oficina de Conteúdo On-line", que vou ministrar em Brasília a partir de 1º de março. Para saber mais, acesse www.funyl.com.br ou ligue para (61) 344-4515.

 

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>> SOBRE O AUTOR: Daniel Aisenberg é consultor e Diretor da Palavra-chave. Pós-graduado em Gestão Estratégica de Marketing pela FGV - DF e graduado em Jornalismo, trabalha com internet desde 1996. Acumula ampla experiência em veículos digitais como Cadê?, JB Online e O Globo Online. Foi responsável pela Comunicação On-line da Brasil Telecom de 2001 a 2004, onde coordenou a reformulação do site e as campanhas de publicidade on-line da operadora. Como professor, Daniel já ministrou a disciplina curricular "Multimídia Jornalística" na Universidade Estácio

Created by aisenberg
Last modified 24/02/2005 - 22:51

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Comentários

Comunicação é pra qualquer um?

Posted by rperret at 24/02/2005 - 23:16
"A Comunicação é uma disciplina consolidada no mercado, mas muitos ainda acham que ela não é fundamental em portais corporativos."

Em alguns casos, a Comunicação até é considerada fundamental, mas as pessoas acham que pode ser praticada por qualquer um. Pelo gestor, pelo programador, pelo diretor etc. As conseqüências podem ser trapalhadas em diversos níveis, desde um texto mal redigido a uma arquitetura da informação capenga.

Algo parecido, inclusive, ocorre com o design, que às vezes fica a cargo do programador ou do sobrinho-que-sabe-usar-o-computador.

Comunicolo certo

Posted by duduloureiro at 25/02/2005 - 10:07
Alias, o profissional de comunicação certo para assumir esse papel de editor, que é especializado em planejamento e gerenciamento, seria o Produtor Editorial.

Concordo, mas...

Posted by zauriel0906 at 27/02/2005 - 22:04
Acho que o fato de descentralizar ou não o conteúdo está ligado a qual estratégia vai funcionar melhor em cada caso. Já vi cenários onde era imprescindível o editor de conteúdo no meio da briga entre as áreas, e outros onde a coisa foi levada com maestria, inclusive com treinamento interno para os "pontos focais". Esse assunto rende, fico aqui ansioso pelos próximos artigos do Aisenberg.

...a necessidade de um gestor de conteúdo nos sites...

Posted by thomazmagalhaes at 04/03/2005 - 21:32
Se o termo refere alguém que paute e produza o que haverá para ler num portal, então eu penso que gestor de conteúdo seja um jornalista. No caso um editor. Tenho pouca afinidade com esses termos.

Se o portal quiser gente lendo o que há nele, um jornalista ajuda bastante. Jornalista é, antes de tudo, contador de estórias. Mesmo que elas tratem de assuntos insonsos, costumam ficar mais palatáveis contadas por eles. A graça é essa.

Comentei o assunto quando conheci o intranetportal no Multiply. A continuação, falando de RP,Imprensa e Publicidade não cabe aqui. Mando por email a quem pedir.




 
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